sexta-feira, 21 de maio de 2010

continuando...

Como surgiu a ideia do projeto (Copan)?

Sou morador do Edifício há 8 anos e sempre pensei na possibilidade de um diálogo de proporção humana com sua arquitetura.
Como o Projeto teve apoio por meio de um Edital publico, pensei numa forma de a arte estar e se realizar nessa intersecção entre a cidade e o ser humano, em explorar essa relação do coletivo e o indiv'duo, o publico e o privado, o espaço.

Por que o Copan?

O Copan é um acontecimento na cidade... um acontecimento arquitetonico conhecido pelos cidadãos. uma construção de concreto pesada mas com movimento e certa leveza. Porém, vejo uma regularidade no edifício que me incomoda. Quis trazer para a cidade uma experiêcia do mar e senti no Copan essa possibilidade de, com a construção dessa estrutura de madeira aparente, criar uma intervenção com um material quente como a madeira que quebrasse essa regularidade causando um estranhamento.

Como a intervenção aproxima cidade, cidadão e arte?

Estando entre eles, sendo a linguagem realmente, acontecendo no momento em que o transeunte se aproxima.
é uma obra em que não há narrativa, ela é no espaço com sua linguagem própria; material, compositiva, estrutural...

“Sobre Mar, Madeiras e outros Animais”, aconteceu no Edifício Copan em São Paulo, e juntou a experiência da pintura à construção de uma instalação com madeiras. Toda a base de pensamento dessa intervenção vem da pintura, dos seus elementos: a composição, o pensamento espacial, a fatura, os campos, o escorço, tonalismo, etc, porém trabalhando e partindo desses elementos em outro espaço. Porque isso é possível e natural! Já que esses elementos não são só da obra. Eles tem que estar no artista. A obra é o reflexo do artista; o artista é sua obra. Por isso, nessa intervenção no Copan e nos trabalhos de madeira a estrutura da obra é a própria obra, eu não escondo essa estrutura. Não há algo por trás, uma sustentação artificial (uma narrativa para ela). Toda sua matéria é ela, os cabos de aço, os encaixes de madeira, os ganchos. É a transparência radical da ação. Pensamento e ação atualizados, visíveis no mesmo ato material.
Não há ilusão!

1 comentários:

josiviana disse...

se a cidade se vive, a obra se vê
o lugar do espaço é a percepção
na pintura estrutural há revelação
do não visto, velando a morte dos olhos passageiros.